A utilização
de embriões humanos para outro fim que não seja
o de produzir um bebé é altamente controversa.
Para algumas pessoas, a eliminação de um embrião
humano de modo a fornecer a cura para uma doença é
absolutamente inaceitável. Para outras pessoas, esse
facto é aceitável se o embrião for muito
recente e a doença for bastante grave.
De modo a elaborar uma lei que proíba ou permita a
utilização de embriões na investigação
médica, os legisladores devem discutir estes assuntos
com cientistas, líderes religiosos, especialistas em
bioética, grupos de pressão e outros elementos
da sociedade civil.
A variedade cultural e histórica existente na Europa
fez com que cada país tenha elaborado leis diferentes
sobre a utilização de embriões. Em alguns
casos, o que é legal num país é proibido
noutro.
Informe-se sobre as seguintes questões.
É legal utilizar embriões
humanos na investigação médica?
É legal a produção de um embrião
unicamente para fins de investigação médica?
É legal utilizar embriões humanos para produzir
células estaminais?
É legal clonar um embrião humano para investigação
médica (clonagem terapêutica)?
Existe alguma lei que proíba a clonagem reprodutiva?
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| Portugal |
Alemanha |
Dinamarca |
Espanha |
Finlândia |
França |
Reino
Unido |
União
Europeia |
Portugal
É legal utilizar embriões humanos na investigação
médica?
Não. Em Portugal, nunca houve consenso sobre o estatuto
do embrião. Isto impediu todas as tentativas de legislar
a procriação clinicamente assistida (nas últimas
2 décadas foram propostos mais de 10 projectos de lei).
Existe um Decreto muito generalista (Decreto
135/VII (1997) publicado pelo Conselho de Ministros) proibindo
"a criação ou utilização
de embriões para fins de investigação
ou experimentação científica ".
Aceita, no entanto, a investigação "quando
esta tenha como único propósito beneficiar o
embrião ".
É legal a produção de um embrião
unicamente para fins de investigação médica?
Não. O Decreto 135/VII (1997), publicado pelo Conselho
de Ministros, proíbe "a criação
ou utilização de embriões para fins de
investigação ou experimentação
científica ". No entanto, aceita a investigação
"quando esta tenha como único propósito
beneficiar o embrião".
A Convenção Europeia para a Protecção
dos Direitos Humanos e Dignidade do Ser Humano no que respeita
à Aplicação da Biologia e Medicina (igualmente
denominada Convenção de Oviedo) começou
a vigorar em Portugal em Dezembro de 2001. O Artigo 18 proíbe
expressamente a "criação de embriões
humanos para fins de investigação "
É legal utilizar embriões humanos para produzir
células estaminais?
Em Portugal não existe legislação respeitante
às células estaminais. No entanto, o Artigo
18 da Convenção de Oviedo - que tem funciona
como lei em Portugal - proíbe a "criação
de embriões humanos para fins de investigação
".
É legal clonar um embrião humano para investigação
médica (clonagem terapêutica)?
Em Portugal, não existe legislação sobre
clonagem terapêutica. Porém, o Artigo 18 da Convenção
de Oviedo - que tem força de lei em Portugal - proíbe
explicitamente a "criação de embriões
humanos para fins de investigação ".
A comunidade científica portuguesa, contudo,
concorda com esta possibilidade tecnológica e encara-a
como uma esperança para a medicina do futuro.
Existe alguma lei que proíba a clonagem reprodutiva?
Sim. A Lei sobre Técnicas de Procriação
Assistida, promulgada pelo Parlamento em Julho de 1999, proibe
a clonagem reprodutiva e criminaliza a sua utilização.
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| Portugal |
Alemanha |
Dinamarca |
Espanha |
Finlândia |
França |
Reino
Unido |
União
Europeia |
Alemanha
É legal utilizar embriões humanos na investigação
médica?
De uma maneira geral, na Alemanha, a 'Embryonenschutzgesetz'
("Lei de Protecção do Embrião"),
que entrou em vigor em Janeiro de 1991, só permite
o diagnóstico ou análise de um embrião
para seu próprio benefício e com o objectivo
de implantar este embrião individual no útero
da respectiva mãe com vista à gravidez e parto.
Assim, a utilização de embriões na investigação
médica é ilegal na Alemanha.
É legal a produção de um embrião
unicamente para fins de investigação médica?
Na Alemanha, nos termos do § 1 da "Embryonenschutzgesetz"
("Lei de Protecção do embrião")
de 1991, qualquer pessoa que fertilize artificialmente um
óvulo para qualquer outro fim que não seja o
de originar uma gravidez na mesma mulher que doou o óvulo
está sujeita a ser processada. Assim, é ilegal
criar um embrião puramente para fins de investigação
médica.
É legal utilizar embriões humanos para produzir
células estaminais?
A lei alemã Embryonenschutzgesetz" ("Lei
de Protecção do Embrião") proíbe
explicitamente qualquer utilização de qualquer
embrião excepto para sua implantação
no útero da respectiva mãe tendo em vista a
gravidez e o parto. Consequentemente, é ilegal utilizar
um embrião para produzir células estaminais.
No entanto, em certas circunstâncias rigorosamente
regulamentadas, é possível importar células
estaminais de outros países para projectos de investigação
especiais de grande importância. Estas células
deverão ter origem em linhas de células estaminais
criadas e estabelecidas anteriormente a 1/1/2002 e só
podem ser utilizadas em projectos de investigação
com "objectivos de investigação de elevada
importância ". Cada caso tem de ser aprovado por
uma comissão especial de ética.
É legal clonar um embrião humano para investigação
médica (clonagem terapêutica)?
De acordo com a interpretação da maior parte
dos peritos legais da Alemanha, a proibição
da clonagem no § 6 da Embryonenschutzgesetz"
(Lei de Protecção do Embrião) inclui
a "clonagem terapêutica " e a "clonagem
reprodutiva ". Além disso, uma vez que esse clone
é em si mesmo um embrião, não só
é ilegal produzi-lo como também utilizá-lo
na investigação médica (uma vez que a
Embryonenschutzgesetz" proíbe testes em
embriões, a não ser no benefício destes).
Existe alguma lei que proíba a clonagem reprodutiva?
Sim, o § 6 da Embryonenschutzgesetz" ("Lei
de Protecção do Embrião") proíbe
a criação artificial ou mesmo a tentativa de
criação de um embrião humano com a mesma
informação genética que outro embrião,
feto, ser humano ou cadáver. A transferência
ou tentativa de transferência desse embrião para
o útero de uma mulher é também proibida.
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| Portugal |
Alemanha |
Dinamarca |
Espanha |
Finlândia |
França |
Reino
Unido |
União
Europeia |
Dinamarca
É legal utilizar embriões humanos na investigação
médica?
Na Dinamarca existem dois casos em que é legal utilizar
embriões humanos na investigação médica:
quando o objectivo é aperfeiçoar as técnicas
de fertilização artificial ou aperfeiçoar
as técnicas de investigação genética
do embrião. Está regulamentado na lei dinamarquesa
sobre fertilização artificial (Lov om kunstig
befrugtning) de 1997 que quaisquer outras experiências
com embriões são ilegais.
É legal a produção de um embrião
unicamente para fins de investigação médica?
Não, na Dinamarca é ilegal criar embriões
exclusivamente para fins de investigação. Esta
investigação apenas poderá ocorrer nos
embriões excedentários resultantes da fertilização
artificial. Apesar desta proibição não
constar explicitamente na Lei da Fertilização
Artificial dinamarquesa de 1997, ela corresponde à
interpretação desta Lei feita pelo Parlamento.
É legal utilizar embriões humanos para produzir
células estaminais?
Não é legal utilizar embriões humanos
para produzir células estaminais, segundo a regulamentação
da lei dinamarquesa de 1997 sobre fertilização
artificial. Mas, e segundo o Ministro da Saúde em Janeiro
de 2002, é legal importar células estaminais
de outros países para investigação.
É legal clonar um embrião humano para investigação
médica (clonagem terapêutica)?
Não é legal clonar um embrião humano
para investigação médica segundo a regulamentação
da lei dinamarquesa de 1997 sobre fertilização
artificial. Não existe lei sobre a utilização
da clonagem terapêutica. Na Dinamarca, um médico
pode efectuar tratamentos com clonagem terapêutica,
desde que siga as regras consagradas na lei dinamarquesa de
2001 sobre práticas médicas (Lov om udøvelse
af lægegerning). As regras estipulam que os médicos
deverão ser cuidadosos e conscienciosos no seu trabalho.
De qualquer modo, a clonagem terapêutica continua a
não ser utilizada para tratamento.
Existe alguma lei que proíba a clonagem reprodutiva?
Sim, a lei dinamarquesa de 1997 sobre fertilização
artificial. Esta lei proíbe os médicos de tratarem
mulheres através de clonagem reprodutiva e proibe também
a realização de experiências com clonagem
reprodutiva.
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| Portugal |
Alemanha |
Dinamarca |
Espanha |
Finlândia |
França |
Reino
Unido |
União
Europeia |
Espanha
É legal utilizar embriões humanos na investigação
médica?
As leis aplicáveis em Espanha são: Lei 35/1988,
de 22 de Novembro, para técnicas de reprodução
assistida; 42/1988, de 28 de Dezembro, para doação
e uso de embriões humanos e fetos ou das suas células,
tecidos e órgãos; e a Convenção
dos Direitos Humanos e Biomedicina do Conselho Europeu. As
sentenças foram lidas pelo Tribunal Constitucional
(STC 212/9 e STC 116/99).
Esta legislação autoriza a investigação
em embriões inviáveis. O problema principal
consiste no conceito de viabilidade. A discussão centra-se
nos embriões excedentários criopreservados que
ultrapassaram a data legal para serem utilizados e que foram
rejeitados para qualquer projecto parental. Discute-se se
os embriões devem ser considerados viáveis ou
não, uma vez que a sua capacidade de se desenvolverem
em azoto líquido são nulas. Quer a Comissão
Nacional para a Reprodução Assistida, quer o
Observatório de Lei e Bioética, quer ainda diversos
grupos de cientistas e médicos têm declarado
serem a favor desta opção.
É legal a produção de um embrião
unicamente para fins de investigação médica?
Não. O artigo 18.2 da Convenção dos Direitos
Humanos e Biomedicina do Conselho Europeu proíbe-o
desde 1 de Janeiro de 2000.
É legal utilizar embriões humanos para produzir
células estaminais?
A lei estipula que é necessária uma autorização
específica para as produzir. A autorização
deve, em princípio, ser dada pela Comissão Nacional
para a Reprodução Assistida ou por uma comissão
ad hoc. No entanto, as opiniões variam e o governo
conservador opõe-se.
É legal clonar um embrião humano para investigação
médica (clonagem terapêutica)?
Em princípio, a clonagem terapêutica utilizando
embriões excedentários que ultrapassaram a data
de implantação e que tenham a autorização
dos dadores do material genético é legal. O
problema é que, em Espanha, os grupos religiosos se
opõem e controlam os mecanismos de decisão de
controlo administrativo.
Existe alguma lei que proíba a clonagem reprodutiva?
Sim. A clonagem reprodutiva foi proibida desde 1988 pela lei
para a reprodução assistida. Também é
considerada um acto criminal pelo código penal de 1995,
tendo sido banida no protocolo adicional da Convenção
dos Direitos Humanos e Biomedicina (que forma parte integrante
da lei espanhola).
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| Portugal |
Alemanha |
Dinamarca |
Espanha |
Finlândia |
França |
Reino
Unido |
União
Europeia |
Finlândia
É legal utilizar embriões humanos na investigação
médica?
A investigação médica na Finlância
é regida pela Lei da Investigação Médica
(1999). Nos termos desta lei, os embriões excedentários
dos tratamentos de fertilização podem ser utilizados
para investigação, desde que os dadores tenham
dado o seu consentimento por escrito. Os embriões não
podem ser implantados num organismo e têm de ser destruídos
no prazo de 14 dias a contar da fertilização.
Os óvulos e esperma podem ser armazenados em nitrogénio
líquido durante 15 anos (por exemplo nos casos em que
uma doença na fase inicial da idade adulta cause infertilidade).
Decorrido o prazo de 15 anos, os óvulos e o esperma
deixam de poder ser utilizados na investigação
e têm de ser destruídos.
É legal a produção de um embrião
unicamente para fins de investigação médica?
Na Finlândia, é estritamente proibido criar embriões
meramente para fins de investigação.
É legal utilizar embriões humanos para produzir
células estaminais?
A investigação que visa alterar características
hereditárias é proibida, a menos que isso torne
possível a cura ou a prevenção de uma
doença grave. A investigação em células
estaminais é controlada pelos conselhos éticos
dos hospitais.
É legal clonar um embrião humano para investigação
médica (clonagem terapêutica)?
A clonagem terapêutica de embriões excedentários
para tratamentos de fertilização é legal,
mas é obrigatório destruir os embriões
no prazo de 14 dias após a fertilização.
Existe alguma lei que proíba a clonagem reprodutiva?
A Lei da Investigação Médica (1999) proíbe
a clonagem reprodutiva.
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| Portugal |
Alemanha |
Dinamarca |
Espanha |
Finlândia |
França |
Reino
Unido |
União
Europeia |
França
É legal utilizar embriões humanos na investigação
médica?
Não. Em França, a lei de Julho de 1994 sobre
Bioética proíbe, de uma maneira geral, a experimentação
com base em embriões humanos. No entanto, existe uma
excepção a esta regra: é permitida a
investigação se esta for útil para o
embrião e não o danificar, e se os progenitores
derem o seu consentimento.
Desde que esta lei foi promulgada, a situação
alterou-se. As mais altas autoridades médicas francesas
(a Comissão Consultiva Nacional sobre Ética
e a Academia de Medicina) e o Conselho de Estado recomendaram
a autorização da investigação
de embriões in vitro.
Em 20 de Junho de 2001, foi
apresentado ao Conselho de Ministros um novo projecto de lei
destinado a alterar a lei anterior, que foi adoptado após
uma primeira discussão na Assemblée Nationale
(parlamento francês) em Janeiro de 2002. Poderá
vir a ser lei em 2003. Esta nova legislação
permitiria aos progenitores doarem os embriões excedentários
(não implantados no útero) para investigação.
A experimentação só avançará
se ambos os progenitores tiverem dado o seu consentimento
por escrito e se o protocolo de investigação
tiver sido especificamente aprovado pelos Ministérios
responsáveis pela Investigação e Saúde.
É legal a produção de um embrião
unicamente para fins de investigação médica?
Não. Em França, a lei actualmente em vigor (promulgada
em 29 de Julho de 1994) proíbe a produção
de embriões para investigação. A fertilização
in vitro (FIV) só pode ter uma finalidade: ajudar um
casal a ter um filho. Os embriões excedentários
são armazenados em estado de congelação
durante cinco anos para uma eventual implantação
posterior no útero da mãe. Os progenitores poderão
igualmente decidir doá-los a outro casal ou mandá-los
destruir. Após este período de cinco anos, têm
de ser destruídos. Actualmente, em França, existem
cerca de 100.000 embriões excedentários, sendo
mensalmente produzidos cerca de 1.000.
A nova lei, a votar em 2003, proibiria igualmente
a concepção de embriões humanos para
fins de investigação (por outras palavras, em
que não haja planos directos de conceber um filho).
Neste caso, os legisladores concordam do biólogo Jacques
Testard (responsável pelo primeiro bebé-proveta
francês) nas reservas que coloca acerca da genuína
revolução antropológica que seria a criação
de seres humanos para de seguida os destruir.
É legal utilizar embriões humanos para produzir
células estaminais?
Não. Actualmente, em França, a remoção
de células estaminais de embriões constitui
uma infracção à lei de bioética
de 1994 que proíbe a investigação em
embriões. Contudo, existe uma lacuna na lei, uma vez
que não é proibida a importação
de células de embriões humanos disponíveis
no mercado internacional.
A nova lei prevista para 2003 irá provavelmente
legalizar a produção de células estaminais
para fins terapêuticos, mas utilizando apenas embriões
excedentários congelados produzidos por FIV e doados
por ambos os progenitores para investigação.
É legal clonar um embrião humano para investigação
médica (clonagem terapêutica)?
Não. Presentemente, a produção de embriões
por clonagem (implantação do núcleo somático
no óvulo) é proibida em França. A lei
que poderá vir a ser promulgada em 2003 proibirá
igualmente esta técnica, apesar de uma recomendação
contrária da Comissão Nacional de Ética.
Em 7 de Fevereiro de 2001, esta comissão votou a favor
da legalização da clonagem terapêutica
por 14 votos contra 12. Mas a Comissão Nacional dos
Direitos Humanos (CNCDH), o Conselho de Estado e o Presidente
da República, Jacques Chirac, exprimiram a sua oposição.
Estas entidades receiam que a autorização da
clonagem terapêutica leve ao aparecimento de um mercado
comercial de óvulos e propicie a clonagem reprodutiva.
Existe alguma lei que proíba a clonagem reprodutiva?
O projecto de lei que poderá vir a ser aprovado em
2003 é muito rigoroso neste ponto. Considera a clonagem
reprodutiva (clonagem seguida de implantação
no útero de uma mulher) como uma infracção
criminal à integridade humana e uma prática
eugénica (artigo 21º). Serão acrescentados
alguns artigos aos Códigos Penal e Civil Francês
no sentido de proibir esta prática. Os biólogos
ou equipas médicas que produzam um embrião clonado
e implantado poderão ser condenados a vinte anos de
prisão.
Para além disso, a França e a
Alemanha solicitaram à ONU que introduzisse uma proibição
internacional da clonagem reprodutiva. A proibição
transformaria essa prática num crime abrangido por
um quadro legal restritivo idêntico ao que pune a tortura.
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| Portugal |
Alemanha |
Dinamarca |
Espanha |
Finlândia |
França |
Reino
Unido |
União
Europeia |
Reino Unido
É legal utilizar embriões humanos na investigação
médica?
Sim, na Grã-Bretanha é legal de acordo com algumas
leis de licenciamento rigorosas.
Desde 1990 que a "Human Fertilisation and
Embryology Act" (Lei de Fertilização Humana
e Embriologia) permite a investigação com embriões
humanos em alguns casos específicos. Estes casos incluem
a investigação sobre o aborto, a esterilidade
e as doenças genéticas.
Em 2001, esta lei foi alterada de modo a permitir
a utilização de embriões na investigação
de doenças graves e dos respectivos tratamentos, e
na investigação do desenvolvimento dos embriões
humanos.
Em todos os casos, os embriões devem
ser eliminados no período de 14 dias após a
fertilização.
É legal a produção de um embrião
unicamente para fins de investigação médica?
Sim, na Grã-Bretanha é legal se existir consentimento.
Antes da recolha de óvulos e esperma, os dadores têm
que assinar uma declaração consentindo na utilização
dos óvulos ou espermatozóides para uma grande
variedade de situações, como por exemplo no
caso de morte ou de óvulos excedentários.
Se o dador der o seu consentimento, os óvulos
e os espermatozóides podem ser utilizados para produzir
novos embriões que serão utilizados apenas para
fins de investigação médica antes de
serem eliminados. A "Human Fertilisation and Embryology
Act" aplica-se igualmente a todos os embriões,
quer tenham sido produzidos para implantar num útero,
quer tenham sido produzidos unicamente para fins de investigação
médica.
É legal utilizar embriões humanos para produzir
células estaminais?
Sim, na Grã-Bretanha a utilização de
embriões para produzir células estaminais e
assim investigar a cura de doenças graves é
legal desde 2001. Contudo, a investigação só
é permitida mediante uma licença da "Human
Fertilisation and Embryology Authority" (Autoridade para
a fertilização humana e embriológica).
À semelhança do que acontece com qualquer investigação
com embriões, estes devem ser eliminados antes do final
do 14º dia (embora na realidade os embriões não
sobrevivam tanto tempo em cultura).
É legal clonar um embrião humano para investigação
médica (clonagem terapêutica)?
Sim, na Grã-Bretanha tornou-se legal em Janeiro de
2001 através das alterações efectuadas
à "Human Fertilisation and Embryology Act"
de 1990. Este tipo de clonagem é chamada clonagem terapêutica
e é utilizada para produzir células estaminais
de modo a curar doenças graves.
Em resposta a esta alteração de
2001 (que permitia a clonagem terapêutica), os manifestantes
anti-aborto da Pro-Life Alliance iniciaram uma batalha jurídica
numa tentativa de impedir a clonagem terapêutica. O
Supremo Tribunal da Grã-Bretanha decidiu que um embrião
clonado é de facto diferente de um embrião dito
"normal" e logo não estava abrangido pela
"Human Fertilisation and Embryology Act" de 1990.
Por essa razão, a investigação utilizando
embriões clonados não deveria ser permitida
uma vez que não existe lei que a regule.
Em Janeiro de 2002, esta decisão foi
revogada por 3 juízes do Supremo Tribunal de Justiça
que decidiram que um embrião clonado está de
facto abrangido pela lei de 1990 e a clonagem terapêutica
passou assim a ser considerada legal. A Pro-Life Alliance
apresentou, com sucesso, um recurso à Câmara
dos Lordes para que analisasse esta decisão.
Existe alguma lei que proíba a clonagem reprodutiva?
Sim, a lei sobre a clonagem reprodutiva humana entrou em vigor
em Dezembro de 2001. Esta lei considera crime a implantação
de um embrião humano clonado no útero de uma
mulher. Alguém que tente praticá-lo insurge
numa pena até dez anos de prisão.
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| Portugal |
Alemanha |
Dinamarca |
Espanha |
Finlândia |
França |
Reino
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União
Europeia |
União Europeia
É legal utilizar embriões humanos na investigação
médica?
Não existe legislação específica
a nível da UE.
É legal a produção de um embrião
unicamente para fins de investigação médica?
Não existe legislação específica
a nível da UE.
A nível do Conselho da Europa, a Convenção
Europeia para a Protecção dos Direitos Humanos
e da Dignidade do Ser Humano no que respeita à Aplicação
da Biologia e Medicina (igualmente denominada Convenção
de Oviedo, 1997) proíbe explicitamente a "criação
de embriões humanos para fins de investigação
" (Artigo 18º). Contudo, a Convenção
só tem força de lei uma vez ratificada pelos
parlamentos nacionais, o que não aconteceu em todos
os países da UE.
É legal utilizar embriões humanos para produzir
células estaminais?
Não existe legislação específica
a nível da UE.
É legal clonar um embrião humano para investigação
médica (clonagem terapêutica)?
Não existe legislação específica
a nível da UE.
Existe alguma lei que proíba a clonagem reprodutiva?
Sim, a primeira foi a Resolução do Parlamento
Europeu (16 de Março de 1989) estipulando que a punição
criminal era a única reacção possível
à clonagem humana. Resolução de 11 de
Março de 1997 bania explicitamente a clonagem e requeria
aos Estados membros que adoptassem medidas no sentido de punir
criminalmente todas as violações da proibição
(Resolução de 28 de Outubro de 1993 tinha já
proibido a clonagem de embriões humanos).
A Declaração dos Direitos Fundamentais
da União Europeia (2000) proíbe a clonagem reprodutiva
de seres humanos (artigo 3).
A nível mais amplo, o Protocolo Adicional
à Convenção Europeia para a Protecção
dos Direitos Humanos e Dignidade do Ser Humano no que respeita
à Aplicação da Biologia e da Medicina
(Convenção de Oviedo) proíbe a clonagem
no seu artigo 1º.
Outros textos internacionais que proíbem
a clonagem são: a Resolução da 50ª
Assembleia de Saúde Mundial, 14 de Maio de 1997 e a
Declaração Universal do Genoma Humano e dos
Direitos do Homem, 11 de Novembro 1997 (artigo 11º).
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