Será que as leis
relativas aos bebés "à medida" são
diferentes no seio da Europa - ou será que todos os países
pensam o mesmo?
Conheça as respostas às seguintes perguntas:
É legal escolher o sexo do bebé?
É legal escolher um embrião pelos seus genes?
É legal escolher um embrião especificamente
para fornecer tecido para outra pessoa?
É legal alterar geneticamente animais?
Quem promulga e aplica estas leis?
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Europeia |
Portugal
É legal escolher o sexo do bebé?
Em Portugal, a Convenção dos Direitos Humanos
e Biomedicina (Convenção de Oviedo) entrou em
vigor em Dezembro de 2001 com força de lei. O Artigo
14º da convenção proíbe explicitamente
a utilização de técnicas de procriação
medicamente assistidas com o objectivo de escolher o sexo
de uma futura criança, salvo se isso servir para evitar
casos de doenças hereditárias graves relacionadas
com o sexo.
É legal escolher um embrião
pelos seus genes?
Não existe lei aplicável em Portugal. O
estatuto do embrião e a sua utilização
na investigação têm sido intensamente
discutidos por diversas vezes. Foram apresentadas várias
propostas de lei mas até ao momento sem sucesso. Deve
referir-se que este assunto específico é "quente"
em Portugal, uma vez que, sempre que se fala da utilização
de embriões, surge em simultâneo a questão
do aborto e a discussão torna-se de imediato muito
emocional e polarizada.
É legal escolher um embrião
especificamente para fornecer tecido para outra pessoa?
Em Portugal não existe lei aplicável.
É legal alterar geneticamente
animais?
Não existem leis específicas relacionadas
com a alteração genética de animais.
No entanto, os ratos, porcos, cães, gatos, cavalos,
ovelhas, vacas, cabras e primatas (não humanos) são
bastante utilizados na investigação, em conformidade
com a Directiva da UE nº 86/609/CEE. No entanto, a directiva
não se refere à alteração genética.
Quem promulga e aplica estas leis?
A lei é elaborada pelo parlamento português
e é aplicada por comités específicos
ad hoc e numa base casuística. No caso de assuntos
de saúde gerais, cada hospital tem um comité
de ética específico (criado pelo Decreto-Lei
nº 97/95). No entanto, as decisões destes comités
só são vinculativas no caso de experiências
médicas com humanos (por exemplo, ensaiar novos tratamentos,
novos produtos farmacêuticos, etc.). Para os restantes
casos, os comités apenas emitem recomendações,
sendo aplicáveis os códigos profissionais de
médicos e investigadores.
No caso de investigação
com animais, a Direcção-Geral de Medicina Veterinária
(Ministério da Agricultura) fiscaliza todos os procedimentos,
numa avaliação caso a caso dos projectos.
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Dinamarca |
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Finlândia |
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Unido |
União
Europeia |
Alemanha
É legal escolher o sexo do bebé?
Na Alemanha, a escolha de um embrião já
existente pelo seu sexo é ilegal, sendo interdita pela
"Embryonenschutzgesetz" (Lei relativa à protecção
dos embriões, Dezembro de 1990). Esta lei aplica-se
mesmo que a intenção seja evitar uma doença.
A escolha do sexo da criança através
da selecção do esperma específico com
que se pretende fertilizar o ovo é também ilegal,
salvo se isso servir para evitar algumas doenças genéticas
relacionadas com o sexo (por exemplo, distrofia muscular).
Tal aplica-se tanto na utilização de esperma
na FIV como na inseminação artificial.
É legal escolher um embrião pelos seus genes?
Em geral, na Alemanha, a "Embryonenschutzgesetz"
(Lei relativa à protecção dos embriões,
que entrou em vigor em 1990) apenas permite o diagnóstico
ou a análise de um embrião se o objectivo for
a sua posterior implantação com a intenção
de gravidez e nascimento.
Porém, existem desentendimentos
sobre a interpretação da lei no que diz respeito
ao diagnóstico genético pré-implantatório.
A lei alemã não permite a realização
do diagnóstico genético pré-implantatório
poucos dias após a fertilização, visto
que, nesta fase, todas as células do embrião
ainda têm a capacidade de se transformar novamente num
embrião completo. Todavia, vários peritos consideram
que esta lei poderá permitir o diagnóstico genético
pré-implantatório mais tarde, durante o desenvolvimento
do embrião, embora ainda numa fase suficientemente
inicial para que o embrião possa ser implantado no
útero.
É legal escolher um embrião especificamente
para fornecer tecido para outra pessoa?
Na Alemanha, só é legar examinar um embrião
se o objectivo for o seu próprio benefício.
Por essa razão, um caso como o sucedido no Reino Unido,
em que um embrião com genes específicos foi
escolhido para salvar a vida de um outro bebé doente,
seria ilegal na Alemanha.
É legal alterar geneticamente animais?
A alteração genética de animais é
legal e é praticada na Alemanha para fins de investigação,
especialmente investigação médica. De
resto, é utilizado um grande número de animais
geneticamente alterados, na sua maioria ratos. Até
ao momento, não existem casos de utilização
de animais geneticamente alterados para fins agrícolas
ou pecuários.
Quem promulga e aplica estas leis?
Na Alemanha, a autoridade legal é o Deutsche Bundestag,
o parlamento alemão. Dois conselhos de peritos, o "Comité
do Deutsche Bundestag para a Lei e Ética na Medicina
Moderna" e o "Comité Nacional de Ética",
adstrito ao gabinete do chanceler, proporcionam consultoria
científica.
Não existe uma comissão
especial para fiscalizar a aplicação destas
leis, mas discute-se se tal comissão deveria ser criada
no âmbito de um formato alterado da "Embryonenschutzgesetz"
(Lei relativa à protecção dos embriões).
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Alemanha |
Dinamarca |
Espanha |
Finlândia |
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União
Europeia |
Dinamarca
É legal escolher o sexo do bebé?
A legislação dinamarquesa entrou em vigor
em Junho de 1997 e determina que o sexo da criança
não pode ser geneticamente escolhido salvo se tal tiver
como objectivo evitar uma grave doença hereditária
relacionada com o sexo da criança.
É legal escolher um embrião pelos seus genes?
A legislação dinamarquesa sobre a fertilização
artificial (Lei relativa à fertilização
artificial, de 1997) determina que a investigação
genética (rastreio) de um ovo fertilizado só
pode ser feita nos casos em que existe, de facto, um risco
substancial da criança nascer com uma doença
hereditária grave.
Além disso, esta lei obriga a que
só se possa fazer investigação genética
de um ovo fertilizado no caso de casais inférteis.
Considerando que, nestes casos, o ovo se encontra no exterior
do corpo, é legal rastrear anomalias no cromossoma.
É legal escolher um embrião especificamente
para fornecer tecido para outra pessoa?
Na Dinamarca, não existe nenhuma lei específica
sobre este assunto. Contudo, a legislação sobre
a fertilização artificial determina que só
é legal escolher um ovo se existir o risco de uma doença
hereditária conhecida, pelo que é ilegal escolher
um embrião de modo a fornecer tecido para outra pessoa
(Lei relativa à fertilização artificial,
de 1997).
É legal alterar geneticamente animais?
A legislação nacional dinamarquesa sobre
a protecção dos animais entrou em vigor em 1991
(Lei relativa à protecção dos animais).
Não inclui quaisquer normas específicas sobre
a alteração genética, mas declara que
os animais devem ser tratados de modo adequado e ser protegidos
na medida do possível contra a dor, o sofrimento, o
medo, as lesões permanentes e as "desvantagens
essenciais" (o que significa tudo o que for mau ou incómodo
para o animal). O Ministério da Justiça dinamarquês
pode, se assim o entender, estabelecer regulamentos mais específicos
ou inclusivamente banir a utilização da biotecnologia
e afins na criação de animais. Contudo, tal
ainda não aconteceu.
Quem promulga e aplica estas leis?
As leis nacionais da Dinamarca são elaboradas pelos
ministérios competentes. No caso da inseminação
artificial, a lei está a cargo do Ministério
da Saúde e nos casos da investigação
animal, do Ministério da Justiça.
Na Dinamarca, a prática de investigação
biomédica em seres humanos vivos, esperma, ovos humanos
fertilizados, embriões e fetos, carece de uma autorização
emitida por um "Comité de ética científica".
Existem oito comités regionais e um central. A tarefa
dos comités de ética científica é
a de garantir o equilíbrio entre a protecção
dos indivíduos envolvidos na investigação
e a procura de novos conhecimentos científicos. A legislação
dinamarquesa, que criou este sistema de comités de
ética científica e a possibilidade da fiscalização
de projectos de investigação biomédica,
entrou em vigor em 1992 (Lei relativa à investigação
biomédica).
O Conselho Nacional de Ética aconselha
o Ministério da Saúde, as autoridades de saúde
etc., sobre os aspectos éticos gerais da nova tecnologia
biomédica. Foi constituído em 1987.
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Dinamarca |
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Finlândia |
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Unido |
União
Europeia |
Espanha
É legal escolher o sexo do bebé?
Em Espanha, a escolha do sexo só é permitida
para fins terapêuticos e para evitar doenças
genéticas relacionadas com o sexo. No processo "Mataró",
o tribunal recusou a uma mãe de quatro filhos o direito
de escolher ter uma filha. Este foi um dos poucos casos judiciais
a recorrer à Lei 35/1988 sobre as técnicas de
reprodução humana assistida. Nessa altura (1988),
esta lei foi inovadora a uma escala mundial e ainda hoje acolhe
um grande consenso social. No entanto, 14 anos após
a sua publicação, alguns aspectos da lei necessitam
de revisão.
É legal
escolher um embrião pelos seus genes?
Em Espanha, o diagnóstico genético pré-implantatório
para detectar quer doenças genéticas quer outras
deficiências é uma prática comum e legal.
A escolha do embrião ajuda os pais a terem crianças
saudáveis, que é justamente um dos objectivos
da reprodução medicamente assistida.
É legal
escolher um embrião especificamente para fornecer tecido
para outra pessoa?
Não existe nenhuma lei específica aplicável,
nem nunca existiram, em Espanha, casos reais que levantassem
esta questão. No entanto, é geralmente aceite
que não é ilegal escolher um embrião
específico para fornecer tecido, desde que os direitos
do recém-nascido sejam assegurados. Como outra pessoa
qualquer, o recém-nascido tem os seus direitos fundamentais
garantidos pelo Estado.
É legal
alterar geneticamente animais?
Em Espanha, a escolha genética de plantas e animais
não só é autorizada como é habitualmente
utilizada para melhorar as características dos animais
e plantas. No entanto, os limites são impostos pela
Lei 15/1994, que visa proteger a biodiversidade e os direitos
do consumidor.
No entanto, actualmente, o bem-estar dos
animais é cada vez mais levado em consideração
e tanto o governo central como os governos das diferentes
autonomias estão a promulgar leis cada vez mais restritivas
sobre a investigação animal. Foram criados Comités
de Ética para Experiências em Animais quer a
nível nacional quer a nível autonómico.
Quem promulga
e aplica estas leis?
Em Espanha, a legislação relativa à
reprodução medicamente assistida data de 1998
e os seus regulamentos de base são: a) a Lei 35/1988,
relativa às técnicas de reprodução
humana assistida e b) a Lei 42/1988, que regula a doação
e utilização de embriões e fetos humanos.
Ambas foram aprovadas pelo Parlamento. Além disso,
a Convenção sobre os Direitos Humanos e Biomedicina
(Conselho Europeu) entrou em vigor em Espanha a 1 de Janeiro
de 2000 e as suas directivas estão de acordo com a
legislação já existente.
A Espanha tem uma Comissão Nacional sobre
a Reprodução Humana Assistida desde 1998. A
Comissão tem como função elaborar relatórios,
avaliar projectos de investigação e melhorar
as técnicas.
A Catalunha dispõe igualmente de
uma Comissão para as Técnicas de Reprodução
Humana Assistida, que é mais antiga que a sua homóloga
nacional. Elaborou muitos relatórios relativos a assuntos
complexos, incluindo a investigação de embriões,
doação de oócitos e armazenamento de
ovos e esperma.
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Dinamarca |
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Finlândia |
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Reino
Unido |
União
Europeia |
Finlândia
É legal escolher o sexo do bebé?
Presentemente, não existe legislação
específica sobre a escolha do sexo. Em 2002, será
discutida no parlamento uma lei relativa ao tratamento da
infertilidade. A lei incluirá regulamentos sobre a
escolha do sexo em casos de doenças hereditárias
relacionadas quer com o sexo quer com outros factores clínicos.
É legal escolher um embrião pelos seus genes?
Actualmente, não existe legislação
específica sobre este assunto e não são
conhecidos casos em que tenham sido escolhidos embriões
devido aos seus genes. No entanto, o assunto é constantemente
alvo de discussão devido aos seus aspectos éticos
controversos. De modo geral, o diagnóstico genético
pré-implantação
é pouco utilizado
na Finlândia.
É legal escolher um embrião
especificamente para fornecer tecido para outra pessoa?
Até ao momento, existiram
poucos casos na Finlândia em que os embriões
foram escolhidos pelos seus genes, de modo a serem completamente
compatíveis para curar um doente já existente.
No entanto, o assunto é constantemente alvo de discussão
devido aos seus aspectos éticos controversos. De modo
geral, o diagnóstico genético pré-implantação
é pouco utilizado na Finlândia.
É legal alterar geneticamente animais?
A alteração genética
de animais é legal na Finlândia. No entanto,
qualquer acto deste tipo é rigorosamente regulado e
controlado pelo designado Conselho de Tecnologia de Genes.
Quem promulga e aplica estas leis?
A investigação
médica rege-se pela Lei relativa à investigação
médica, que entrou em vigor em 1999. A lei determina
que o interesse e o bem-estar do objecto de investigação
deverá estar sempre acima de quaisquer vantagens para
a ciência ou sociedade. De acordo com a lei, a investigação
médica envolvendo humanos, o que também engloba
a investigação com embriões e fetos,
carece sempre de uma autorização por parte dos
comités de ética da autoridade hospitalar.
O Conselho de Tecnologia de Genes foi criado
por decreto e visa assegurar uma utilização
segura e eticamente aceitável da tecnologia genética.
Emite pareceres e regulamentos, intervém como autoridade
de registo e fiscaliza ainda a utilização das
tecnologias genéticas. O Conselho é nomeado
pelo Conselho de Estado.
O Conselho Consultivo Nacional sobre Ética
dos Serviços de Saúde (ETENE) é um comité
perito em assuntos éticos relacionados com serviços
de saúde e legislação pertinente.
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Reino
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Europeia |
França
É legal escolher o sexo do bebé?
Em França, não existe legislação
específica sobre a escolha do sexo dos bebés.
No entanto, a legislação permite
o aborto terapêutico no caso de existir um elevado risco
de o casal vir a ter uma criança com uma doença
genética relacionada com o sexo. Este caso só
se aplica a doenças relacionadas com o sexo, tais como
a hemofilia (que, apesar de estar presente no sexo feminino,
só se revela no sexo masculino).
É legal escolher um embrião pelos seus genes?
Se o risco de ter uma criança com uma doença
genética for elevado, o casal pode optar por recorrer
a um processo de fertilização in vitro. Deste
modo, os embriões podem ser rastreados para que apenas
embriões saudáveis sejam implantados na mãe.
Este processo é legal em França. No entanto,
não é possível escolher ter um filho
de olhos azuis, por exemplo.
É legal escolher um embrião especificamente
para fornecer tecido para outra pessoa?
Até ao momento, a legislação francesa
não determinou que a utilização de células
estaminais de um embrião para curar a doença
de uma outra pessoa seja ilegal. Porém, o debate no
parlamento sobre a investigação de células
estaminais encontra-se aceso. Por enquanto, ainda não
existiram casos em França em que um embrião
tenha sido escolhido pelos seus genes, de modo a constituir
uma compatibilidade perfeita para curar a doença de
um familiar.
É legal alterar geneticamente animais?
A alteração genética de animais é
legal e praticada em França, tanto para fins de investigação
como agrícolas.
Quem promulga e aplica estas leis?
Em Julho de 1994, foi constituído por lei um Comité
Consultivo Nacional sobre Ética para a Saúde
e Ciências (CNCE). Este comité analisa assuntos
como a doação e a utilização de
partes e produtos do corpo humano, a reprodução
assistida por meios médicos e os diagnósticos
pré-natais.
A função do CNCE é "emitir
pareceres sobre problemas levantados devido ao progresso do
conhecimento nas áreas da biologia, da medicina e da
saúde, assim como publicar recomendações
sobre estes assuntos propostos". Desde 1994, o CNCE preparou
e propôs novas leis nesta área que, por sua vez,
foram promulgadas pelo parlamento francês.
Alguns comités de ética
locais foram igualmente criados em hospitais.
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Dinamarca |
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Finlândia |
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Reino
Unido |
União
Europeia |
Reino
Unido
É legal escolher o sexo do bebé?
A legislação britânica determina que
os pais só podem escolher o sexo do seu bebé
se houver risco deste herdar uma doença genética
determinada pelo sexo. As razões relacionadas com o
equilíbrio familiar, ou outras, não constituem
justificação legal em clínicas licenciadas
no Reino Unido. No entanto, as clínicas privadas e
as não licenciadas não violam a lei quando colocam
à disposição esperma previamente seleccionado.
É legal escolher um embrião pelos seus genes?
Actualmente, no
Reino Unido, é legal escolher um embrião pelos
seus genes. Uma técnica chamada diagnóstico
genético pré-implantação
é utilizada para rastrear diversas doenças genéticas.
Os médicos escolhem apenas os embriões saudáveis
e são esses que são implantados no útero
da mãe.
É legal escolher um embrião especificamente
para fornecer tecido para outra pessoa?
No Reino Unido, a Human Fertilisation and Embryology Authority
(HFEA) autorizou um casal a escolher os genes do seu futuro
filho com vista a salvar a vida de uma outra filha doente,
nascida anteriormente. O diagnóstico genético
pré-implantação
foi utilizado para assegurar que o recém-nascido
não só não padecesse da doença
genética que afectava a sua irmã, mas também
que tivesse um tecido compatível. Tal permitiu aos
médicos retirar tecido da placenta para curar a irmã.
No futuro, a HFEA irá analisar cada situação
caso a caso.
É legal alterar geneticamente animais?
No Reino Unido, é legal alterar geneticamente ratos,
vacas, porcos, ovelhas e cabras.
O Medical Research Council, que financia
a maioria das experiências com animais efectuadas nos
laboratórios britânicos, afirma: "A legislação
e os códigos de ética britânicos exigem
que os investigadores utilizem os animais menos "desenvolvidos"
e, sempre que possível, em número mínimo.
Pensamos que os ratos geneticamente alterados devem continuar
a ser a espécie preferencial sempre que tal se torne
indispensável para nos ajudar a compreender as doenças
e a melhorar a saúde". Os macacos geneticamente
alterados, tais como o Andi, não seriam, por esta razão,
bem aceites nos laboratórios existentes no Reino Unido.
Quem promulga e aplica estas leis?
A Human Fertilisation and Embryology Authority (HFEA),
criada no Reino Unido em 1991, tem o dever de garantir que
todas as clínicas britânicas de fertilização
in vitro (FIV), inseminação artificial (IA)
ou armazenamento de ovos, esperma ou embriões, cumpram
elevados padrões médicos e profissionais, sendo
que a inspecção é regular. Para além
disso, a HFEA reúne dados exaustivos sobre estes tratamentos
e fornece informações ao público.
A HFEA também autoriza e controla, a
bem da sociedade, toda a investigação em embriões
humanos. A HFEA tem igualmente em conta as correspondentes
implicações éticas.
À medida que a técnica se
aperfeiçoa e desenvolve, é necessário
que a legislação reveja a sua aplicação
caso a caso. A legislação deve acompanhar a
ciência.
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Dinamarca |
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França |
Reino
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União
Europeia |
União
Europeia
É legal escolher o sexo do bebé?
Não existe nenhuma legislação europeia
aplicável, sendo esta matéria deixada ao critério
dos parlamentos nacionais. O mais aproximado de um consenso
geral é a Convenção sobre os Direitos
Humanos e Biomedicina, de 1997, que proíbe a escolha
do sexo salvo por razões terapêuticas (Artigo
14º). A mesma recomendação é também
indicada por vários Comités de Ética
a nível europeu. No entanto, para possuir força
de lei, a Convenção tem de ser ratificada pelos
parlamentos nacionais, o que ainda não aconteceu em
todos os países. A Alemanha, Irlanda e o Reino Unido
não assinaram nem aprovaram a Convenção.
A Itália assinou, mas ainda não ratificou.
Não existem directivas europeias
sobre bebés "à medida". No entanto,
a directiva relativa à protecção legal
das invenções biotecnológicas (Directiva
98/44/CE, 6 de Julho de 1998) é por vezes utilizada
como um argumento contra quaisquer alterações
genéticas.
É legal escolher um embrião pelos seus genes?
Não existe nenhuma legislação europeia
aplicável, sendo esta matéria deixada ao critério
dos parlamentos nacionais. A Convenção sobre
os Direitos Humanos e a Biomedicina (1997) declara que o planeamento
genético de bebés é proibido excepto
no caso terapêutico (Artigo 14º), o que é
igualmente recomendado por vários Comités de
Ética a nível europeu. No entanto, para possuir
força de lei, a Convenção tem de ser
ratificada pelos parlamentos nacionais, o que ainda não
aconteceu em todos os países. A Alemanha, Irlanda e
o Reino Unido não assinaram nem aprovaram a Convenção.
A Itália assinou, mas ainda não ratificou.
É legal escolher um embrião especificamente
para fornecer tecido para outra pessoa?
Não existe nenhuma directiva
europeia aplicável.
É legal alterar geneticamente animais?
Não existe nenhuma directiva europeia especificamente
relacionada com as alterações genéticas.
Os ratos, porcos, cães, gatos, cavalos, ovelhas, vacas,
cabras e primatas (não humanos) são utilizados
para investigação em universidades e laboratórios
europeus.
Quem promulga e aplica estas leis?
O processo de tomada de decisão europeu é
complexo e existe mais do que um procedimento. No caso de
questões de investigação científica
e tecnológica, aplica-se o processo de "co-decisão".
Para começar, o trabalho técnico é da
responsabilidade da Comissão Europeia (as Direcções-Gerais
e os Serviços) que, depois, apresenta uma proposta.
Esta proposta é, então, objecto de discussão
entre o Conselho da União Europeia (ministros dos 15
Estados-Membros) e o Parlamento europeu até chegarem
a um acordo. Podem ser sempre pedidos pareceres a grupos consultores
(por exemplo, o Grupo Europeu sobre a Ética na Ciência
e nas Novas Tecnologias: http://europa.eu.int/comm/european_group_ethics/index_en.htm).
A responsabilidade final de aprovação
pertence tanto ao Conselho como ao Parlamento (por esta razão
é que se chama "co-decisão").
Depois de aprovada a legislação
(uma lei na UE pode ser designada de regulamento, directiva
ou recomendação - ver as diferenças aqui:
http://europa.eu.int/eur-lex/en/about/pap/process_and_players2.html#1),
os Estados-Membros são responsáveis pela sua
aplicação. Caso a lei não seja aplicada
ou seja erradamente aplicada, a Comissão pode apresentar
uma queixa ao Tribunal das Comunidades Europeias. Os cidadãos
europeus ou pessoas com residência habitual num Estado-Membro
também podem apresentar uma queixa ao Provedor de Justiça
Europeu (http://europa.eu.int/institutions/ombudsman/index_en.htm).
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