Deverão ser
os pais autorizados a conceber os filhos à medida?
Seriam os pais e as crianças mais felizes?
Passaria a haver pessoas mais saudáveis?
Passaria a haver pessoas mais bonitas?
Levar-nos-ia a um acentuar das diferenças entre ricos
e pobres?
Deverão os cientistas lidar com os genes de embriões,
ainda que para curar doenças genéticas?
Será correcto?
Será contra-natura?
Estas são apenas algumas das questões éticas
levantadas por estas tecnologias genéticas avançadas.
Em baixo apresentam-se os principais argumentos contra e
a favor.
Argumentos a favor dos "bebés à medida"
Alguns casais não podem ter filhos porque estes
inevitavelmente terão uma doença genética
e morrerão à nascença ou ainda muito
novos. Contudo, as técnicas utilizadas para alterar
a constituição genética do embrião
permitem que esses casais possam ter filhos.
Por outro lado, se é verdade que desejamos sempre
o melhor para os nossos filhos, por que razão não
podemos desenhar os nossos próprios bebés
"à medida"? Recorrendo a estas técnicas,
é possível evitar certas doenças genéticas,
evitando-se também o sofrimento da criança
e ainda o custo e a tensão emocional de ter de tomar
conta de uma criança doente. Será que por
via desta intervenção passará a haver
famílias mais felizes?
Crianças doadoras de "partes e produtos humanos"?
Alguns casais com filhos que sofriam de doenças sanguíneas
graves, recorreram à FIV para seleccionar os embriões
"à medida": deste modo, puderem ter um
segundo filho que foi depois doador compatível de
sangue ou de medula óssea do irmão ou da irmã.
Nestes casos, não só a segunda criança
é saudável como também pode ajudar
o irmão ou irmã a curar-se.
Argumentos contra os "bebés à medida"
Mas será isto correcto? Nestes casos, os pais e
os médicos estão a instrumentalizar a criança
para que esta sirva de mera "fábrica de doação
de órgãos". Como se irá ela sentir
mais tarde? A criança pode sentir que nasceu não
por ser desejada mas apenas para poder salvar o irmão
ou a irmã. As crianças devem ser amadas e
queridas por serem quem são e não pelo que
podem fazer pelos outros.
Por outro lado, estas técnicas genéticas
são muito caras, o que pode acentuar os desequilíbrios
entre ricos e pobres. Algumas pessoas argumentam que, mais
uma vez, apenas as pessoas ricas poderão ter direito
a erradicar futuras doenças genéticas dos
seus filhos.
Se continuarmos, será que vamos criar uma raça
de super-humanos que olham de soslaio para os "normais",
aqueles que não foram "corrigidos"? Mesmo
hoje ainda não conseguimos eliminar a discriminação
daqueles que sofrem de deficiências físicas.
E aumentará ainda mais a discriminação
para com todos os deficientes?
Por outro lado, podendo escolher as características
dos nossos filhoes, podíamos ser tentados a "corrigir"
bebés perfeitamente saudáveis. Uma vez iniciado
o processo de eliminação de embriões
por defeitos genéticos, o que nos impediria de os
seleccionar com base em características físicas
ou psicológicas?
Presentemente, podemos testar embriões humanos de
modo a escolher apenas aqueles que não apresentam
genes "maus". Contudo, será correcto introduzir
novos genes? Não nos esqueçamos que estas
alterações genéticas serão permanentes
e ficarão armazenadas em todas as células
do bebé. Mais: essas alterações seriam
transmitidas de geração em geração.
Para além disso, que direito têm os pais de
escolher que características genéticas são
melhores para os seus filhos e netos? Reagirão as
crianças contra as alterações genéticas
que os seus pais escolheram?
Quem é responsável pelas alterações
genéticas de uma criança? Os pais? Os médicos?
O Estado?
Será correcto fazer experiências em bebés?
Alguns estudos efectuados com animais sugerem que este
tipo de engenharia genética tem resultados imprevisíveis
e existe um risco de alterações físicas
ou até psicológicas na criança. Num
caso recente em que se modificaram geneticamente ratos de
forma a aumentar a sua massa muscular, verificou-se que
estes se tornaram mais tímidos do que outros que
não tinham sofrido alterações genéticas!
Porém, é natural que se venham a conhecer
novos dados no futuro e alguns cientistas pensam que poderão
prever com maior certeza o comportamento do gene caso este
tenha sido introduzido num animal ou num humano.
Na constituição dos humanos do futuro existirão
genes animais por forma a possuírem capacidades sobre-humanas?
Isto poderia acontecer pois há anos que o contrário
se passa: há anos que têm vindo a ser introduzidos
genes humanos em animais.
|